O Empirismo Baconiano

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  • Published : October 13, 2009
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O Empirismo Baconiano

Em uma época de dúvida e de questionamento do que se sabia até então, Sir Francis Bacon buscou um “verdadeiro e extraordinário progresso do saber”, assim como uma “reforma total do conhecimento humano”. Para que tal fosse alcançado ele deixou marcado o caminho a seguir. As descobertas e invenções científicas resultantes dariam ao homem o controle sobre as forças da natureza -“saber é poder”. A este projeto foi dado o nome de Grande Instauração. Ele abrangia seis partes, sendo a primeira, a classificação completa das ciências existentes; a segunda, a apresentação dos princípios de um novo método para conduzir a busca da verdade; a terceira, uma coleta de dados empíricos; a quarta, uma série de exemplos de aplicação do método; a quinta, uma lista de generalizações de suficiente interesse para mostrar o avanço permitido pelo novo método e a sexta, a nova filosofia que iria apresentar o resultado final organizado num sistema completo de axiomas. O plano de Bacon não foi levado ao fim, restando referentes a ele apenas três obras. São elas: o De Dignitate et Augmentis Scientarum, que descreve a primeira parte, o Novum Organum, ligado à segunda parte e o História Natural, referente à terceira parte. Contudo, estas obras encontram-se distantes do que Sir Francis almejava. Bacon dá início ao seu ambicioso projeto, descrito no Novum Organum, através da crítica aos que o antecederam. A eles, ele diz que não devemos ser como aranhas que fiam tirando do seu próprio interior, nem como formigas, que simplesmente recolhem, mas como abelhas que recolhem com um objetivo em mente. Sir Francis reconhecia que os seus predecessores possuíam “inteligências fortes e agudas”, mas via que, por estarem “enclausurados nas celas dos mosteiros e nas universidades, mais atravancaram as ciências do que concorreram para aumentar-lhes o peso”. Eles chegavam a conclusões através das suas análises pessoais e não através da observação prática. Com estas bases, eles teciam teias maravilhosas, mas com matéria que provinha de seu interior e, por isso, sujeita a má interpretação. Outra crítica que Bacon faz à filosofia antecessora é de que ela é estéril quanto aos resultados práticos para a vida do homem. Ele acreditava que a ciência deveria ser um instrumento para se obter poder sobre a natureza e não algo para se contemplar, assim como uma teia de aranha. Aos “alquimistas e empíricos, incipientes e grosseiros” Bacon diz que apenas acumulam informação de forma aleatória, sem qualquer meta em mente. Portanto, são incapazes de, com a “descoberta de conhecimentos ocultos”, “integrá-los num todo coerente e sistemático” de forma a aplicar o recém adquirido. Neste aspecto são muito similares a formigas pois armazenam tudo o que encontram sem qualquer critério seletivo e sem ordenar estes bens obtidos de forma tal que consigam retirar novos benefícios. Um verdadeiro filósofo natural, (cientista da natureza), deve não somente acumular fatos sistematicamente, mas também ordená-los de tal forma a descobrir um método que permita o progresso do conhecimento. Este progresso provém da aplicação de um conhecimento recém alcançado para obtenção de novos conhecimentos. O cientista estará, então, operando como uma abelha por acumular de uma forma ordenada e com um objetivo em mente.

Bacon percebeu que nenhum filósofo ou cientista até o seu tempo foi capaz de “trilhar uma ciência” que fosse de utilidade prática para o homem, ou seja, não deram ao homem poder algum. Ele buscou as razões pelas quais o conhecimento acumulado até então não era eficaz. Bacon desenvolveu, então, um método de pesquisa que permitiria um conhecimento correto da natureza e os meios de torná-lo útil. Desta forma, este saber poderá ser usado de forma prática por qualquer um que o necessite.

Para que os resultados de uma pesquisa fossem verossímeis, o pesquisador deveria se distanciar do que Sir Francis chamava de “ídolos”. Estes, “que ora ocupam o intelecto humano e...
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